
Quantas são felizes mesmo assim?
E quantas nunca sequer pensaram sobre isso?
...onde eu tento dar um sentido às inutilidades da vida.






- Esse tal de horóscopo.
Bem, vejamos. Sendo a canceriana que sou, é de se esperar que eu seja uma pessoa sensível e apagada à família. Alguém que se magoa com facilidade e tem dificuldades em falar dos seus sentimentos. A canceriada gosta de ficar em casa, é carinhosa e bem-disposta. É "regida pela lua", sua pedra preciosa é o cristal, seu elemento é a água. E por aí vai. Já sei tudo isso de cor.
Sendo o ser humano que sou, tenho a obrigação de dizer que a semelhança entre mim e a descrição geral daqueles nascidos entre os dias 21/06 e 21/07 é tão grande que me assusta. Não sei que diferença faz se Júpiter está na casa de Saturno e nem como isso é possível (planetas tem casa?). Mas tenho a leve suspeita de que esse entra-e-sai dos astros me fez ser o que sou, sendo a hipótese real ou não. Afinal, desde quando entendo algo de horóscopos? Acho que comecei a ler sobre isso lá pelos 7 anos, e se você pensar bem, é nessa fase que iniciamos a construção do nosso caráter. Acho que isso ficou pregado na minha mente, como uma lavagem cerebral.
E se eu tivesse nascido um mês depois e fosse de Leão? E se eu passasse boa parte da vida lendo que eu estava destinada a ser vaidosa, orgulhosa, namoradeira e gostasse de sair? Isso com certeza faria uma pequena diferença.
É claro que não acredito tanto assim no que os astrólogos dizem de mim. Mas influência eles tem, lá isso é.
Oh, e aquela parte que diz qual é o seu inferno astral? Pelo que parece eu devo me distanciar de quem é de aquário e que terei "bons fluidos" se namorar alguém de capricórnio.
Bem, eu conheço um geminiano e um capricorniano, e devo dizer que nesse ponto, Vênus estava completamente errado.
Quanto ao que diz respeito do horóscopo diário, do tipo "hoje você vai receber uma surpresa agradável" ou "você vai se irritar facilmente" ou ainda "use lilás pra atrair mais dinheiro", a solução é simples: Se for algo bom, eu acredito. Senão, não acredito. E se eu não gosto de lilás, nada vai me obrigar a arranjar alguma peça dessa cor.
E fim.


Mas há algo muito mais intrigante no espelho. Às vezes eu me vejo e não me reconheço. Não tem nada a ver com o fato de estar descabelada ou com muita maquiagem. É que é dífil acreditar que eu - aquela parte que pensa e sente e não tem nada a ver com a cor da pele ou o tamanho do nariz - sou realmente aquilo.
Quero dizer, e se eu fosse uma ruiva de cílios super longos e olhos verdes ou uma negra de lábios grossos? Será que faria alguma diferença? Eu mudaria o meu jeito de pensar ou tudo depende da maneira de como fui criada?
Não tenho a intenção de fazer um discurso sobre as semelhanças e diferenças da raça humana hoje, só pra deixar claro. Eu só quero entender a relação entre aquilo que você vê, e o que você é.
Então é assim que eu fico quando estou sorrindo? E essas orelhas, tão conhecidas, mas que sempre me parecem diferentes? Como a boca se move engraçado quando falamos limoeiro bem devagar. Se eu visse algum clone meu na rua, só que com outra cor de cabelo e pele e um pouco mais gorda, eu perceberia alguma coisa na hora?
Desvendar as profundidades do ser humano é uma tarefa para filósofos. Eu fecho meus olhos e vejo uma escuridão cheia de pontos brilhantes. Sei que a outra está fazendo a mesma coisa, mas não preciso vê-la pra saber que minhas sobrancelhas estão se unindo e minha boca, se espichando. Ela sou eu. A voz silenciosa que me diz isso também sou eu. Somos duas, ligadas por um par de olhos "meigos e atrevidos" que no momento estão observando as estrelas por dentro das pálpebras.
Nenhuma escuridão é completa, afinal.









Então, leitores queridos, se algum de vocês é um desses superticiosos que bate três vezes em madeira e muda até de rua quando tem uma escada por perto, saibam que não vale a pena ver tudo negativo num dia tão bom (é quente! hoje não fez frio nenhum!!! *o*). Have a nice day, guys!


